sábado, 10 de outubro de 2015

Jodi Picoult - Dezanove minutos

E se todos os dias alguém nos destruísse mais um bocadinho?
Se todos os dias perdêssemos a nossa identidade?
Se deixássemos de saber quem somos?
Se achássemos que não somos nada?
É justo que nos façam sentir assim? É justo que nos humilhem, nos torturem, nos magoem só porque é aparentemente divertido?
É justo acordar todos os dias sem esperança só porque alguém se lembrou que somos um alvo fácil?
E se um dia acordássemos e decidíssemos acabar com todos aqueles que de alguma forma já acabaram connosco? Se achássemos que era justo ser tão cruel com os outros como foram connosco? Podemos realmente ser condenados por isso? Somos realmente um monstro ou os monstros são eles que durante anos nos foram destruindo?

Dezanove minutos conta-nos a história de um jovem que entrou na sua escola e matou a tiro 10 pessoas ferindo mais dezanove, conta-nos o choque e o drama desse episódio mas conta-nos também o modo como tudo começou, como um jovem foi perseguido e torturado durante anos, como se viu reduzido a nada...
Este livro faz-nos pensar no outro lado da violência, dizemos sempre que "nada justificava esta atitude" mas e se tivéssemos passado anos a ser humilhados, como é que nos sentíamos?

Este livro é um alerta, porque muitas vezes não vemos o que está mesmo à frente dos nossos olhos, não nos preocupamos com o outro lado da história, com os sentimentos que estão por detrás das acções, nada justifica um massacre mas também nada justifica que cada vez mais crianças sejam vitimas de violência psicologica num ambiente que deveria ser seguro, com pessoas que deviam ser suas amigas, cabe a cada um de nós evitar que isto aconteça, educando os nossos filhos, ensinando-lhes a ser pessoas compassivas, honestas e principalmente ensinando-lhes que as palavras magoam, que as nossas atitudes tem consequências e que não temos de ser amigos de toda a gente mas temos de respeitar toda a gente.

Jodi Picoult é sem dúvida uma das melhores escritoras que já li.



"Se não mudarmos a nossa direcção, acabaremos por chegar aonde vamos." - Provérbio chinês

"Quando estava com ele, sentia que se evaporava."

"Há duas maneiras de ser feliz: melhorar a nossa realidade, ou baixar as nossas expectativas."

"Olha, posso não ser a pessoa que neste momento desejas, mas só me tens a mim."

"Coração de manteiga - tinha-lhe chamado. Bem ele deveria saber. Foi ele o primeiro a cortá-lo em pedaços."

"Pessoas diferentes tem diferentes tolerâncias à dor."

"Mostrou-lhe um sorriso, daqueles que podem fazer um coração começar a partir-se."

"Se passarmos a vida concentrados naquilo que os outros pensam de nós, será que nos esquecemos de quem realmente somos?"

"Uma arma não era realmente nada sem uma pessoa por trás dela."


"O facto de acreditarem ou não no destino resume-se a uma coisa: quem culpam quando algo corre mal. Acham que a culpa é vossa - que se se esforçassem mais, tal não teria acontecido? Ou limitam-se a atribuir a culpa às circunstâncias?"

"Não podemos refutar os factos, podemos apenas mudar a forma como olhamos para eles."

"Os olhos dela faziam-lhe lembrar o céu que vemos dos aviões: um cinzento sem limites que poderia ser qualquer lugar, e lugar nenhum, ao mesmo tempo."

"Quando damos o nosso coração a uma pessoa, e essa pessoa morre, levá-lo-á consigo? Passaremos o resto da eternidade com um buraco dentro de nós que não pode ser preenchido?"

"Sentiu-se desvanecer, e interrogou-se se seria possível transformarmo-nos em fantasmas sem morrer, se essa parte seria apenas um pormenor técnico."

"Os monstros não nascem monstros, fazem-se monstros."

"Era como se houvesse um desfiladeiro no lugar onde costumava estar o nosso coração."

"Sabia que havia uma diferença entre algo que nos faz feliz e algo que não nos faz infelizes. O truque era convencermo-nos a nós próprios de que ambas eram a mesma coisa."

"Eram animais por estarem na prisão... ou estavam na prisão por serem animais?"

"Quando não nos integramos, tornamo-nos sobre-humanos. Sentimos os olhos de toda a gente fixos em nós, colados como velcro. Conseguimos ouvir um sussurro sobre nós a um quilometro de distância. Podemos desaparecer, mesmo que pareça que ainda estamos ali mesmo. Podemos gritar sem que ninguém oiça um som. Transformamo-nos no mutante que caiu na cuba de ácido, o joker que não consegue tirar a máscara, o homem biónico a quem faltam todos os membros, mas tem o coração inteiro.
Somos a coisa que costumava ser normal, mas isso foi há tanto tempo, que já nem sequer conseguimos lembrar-nos dessa sensação."

"Não consigo viver sem ti."

"Estou vazia por dentro."

"O trauma de uma pessoa é a perda da inocência da outra."

"Por quanto tempo poderemos andar num caminho paralelo ao da nossa filha antes de perdermos a esperança de intersectar a sua vida?"

"Tenho medo de me perder."

"Quando alguém que amamos está a sofrer, isso corta-nos até ao osso."

"Podia colar-se aquilo que estava partido, mas se tivéssemos sido nós a fazê-lo, saberíamos sempre no nosso coração onde estavam as linhas da fractura."

"Estar à margem é a maior sensação de impotência."

"A felicidade tinha a forma de um U. As pessoas eram mais felizes quando eram muito novas e quando eram muito velhas. O ponto mais baixo ocorria por volta dos 40 anos."

"Tens uma pila grande? Estava a pensar se seria suficientemente comprida para te ires fod*r"

"Se a opinião dos outros é que conta, então será que alguma vez chegamos a ter a nossa?"

"Podíamos odiar o nosso filho por aquilo que ele fez, e mesmo assim assim amá-lo por quem ele foi?"

"Uma parte de crescer é aprender a não sermos completamente sinceros - saber quando é melhor mentir, em vez de magoar alguém com a verdade."

"Quando perdemos o nosso filho, será que podemos continuar a ser pais?"

"Já não sabia se estava a chorar, ou se era o céu que o fazia por ela."

"A dor cortava-a ao meio, como num truque de magia, só que sabia que nunca mais voltaria a ficar inteira."

"Quando iniciares uma viagem de vingança, começa por cavar duas sepulturas; uma para o teu inimigo, e outra para ti próprio." - Provérbio chinês

"A crueldade é sempre um pouco divertida até nos apercebermos de que estamos a magoar alguém."

"Na adolescência o importante é integrarmo-nos e não ser diferente."

"Depois de nos tirarem o chão debaixo dos pés, seriamos capazes de pisar novamente terra firme?"

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