sábado, 4 de julho de 2015

Margarida Rebelo Pinto - As crónicas da Margarida

Como o próprio nome indica o livro é uma compilação de várias crónicas, não gostei de todas mas a maioria são daquelas que nos derretem o coração - Margarida Rebelo Pinto é especialista em derreter-nos o coração.
O livro tem frases lindas, tantas que acho que demorei mais a escreve-las todas do que a ler o livro :)




"O meu amor ensinou-me a partir nalguma noite triste, mas antes ensinou-me a não esquecer que o amor existe." - Jorge Palma

"As pessoas a partir de uma certa idade escolhem a idade que querem ter e eu escolhi ficar entre a adolescência e a maioridade."

"Ninguém é dono de nada."

"O que eu mais gosto no amor é que, quando é a sério, cabe tudo lá dentro. A paixão, o desejo, o pulsar das almas e a serenidade dos pensamentos, a vontade de construir outra vez o mundo à imagem e semelhança do que sentimos, a paz dos regressados e a poesia das folhas brancas que cada dia esperam a doçura das palavras e a certeza das ideias.
O amor é mais do que querer, desenhar, sonhar e amar. É partilhar a vida inteira, numa entrega sem limites, como mergulhar no mar sem fundo ou voar a incalculáveis altitudes. O amor é muita coisa junta, não cabe em palavras nem em beijos, porque se leva a sim mesmo por caminhos que nem ele mesmo conhece, por isso quem ama se repete sem se cansar e tudo promete quase sem pensar, porque o amor, quando é a sério, sai-nos por todos os poros, até quando estamos calados ou a dormir."

"Não se ama pelas qualidades. Nem por isto ou por aquilo. Ama-se simplesmente, e sobretudo ama-se apesar deste e aquele defeito."

"Quando ri, então é como se o paraíso tivesse descido à terra e não existisse mais nada, porque tudo o que mais queremos está ali, naquela pessoa."

"Caímos na asneira de o amarmos sem exigir nada em troca."

"E só quando a porta bate é que a tristeza e o desespero chegam."

"O orgulho e a teimosia nos conduzem cega e inutilmente a desejar sempre o que não temos."


"Há muitos tipos de corações. Há corações pequenos e tímidos, há corações grandes e abertos, há corações onde é preciso meter requerimentos de papel azul e selo de garantia para abrirem as portas e outros cheios de janelas, frescos e arejados. Há corações com trancas, segredos e sistema de alarme que são como cofres de bancos. Corações sombrios e desconfiados, com fechaduras secretas e portas falsas. Corações que parecem simples, mas quando se entra lá dentro, espera-nos o mais perverso dos labirintos. E há corações que são como jardins públicos, onde pessoas de todas as idades podem entrar e descansar. Há corações que são como casas antigas, cheios de mistérios e fantasmas, com jardins secretos e sótãos poeirentos, carregados de memórias e recordações e há corações simples e fáceis de conhecer, descontraídos e leves, sempre em férias como tendas de campismo. Há corações viajantes, temerários e corajosos, como barcos à vela que nos parecem bonitos ao longe, mas que nos deixam sempre na boca o sabor amargo de nunca os conseguirmos abarcar... Há corações missionários, despojados e enormes. Há corações que são paquetes de luxo, onde o requinte é a palavra-chave para baterem... Há corações que são como borboletas e voam de um lado para o outro sem parar, numa pressa ansiosa de viver tudo antes que a vida se acabe.
Há corações que são como elefantes do zoo, muito grandes, pacíficos e passivos que aceitam viver limitados pelos outros e que até tocam o sino se os tratarmos bem e lhes dermos mimos e corações aventureiros, sempre prontos para partir em difíceis expedições e se ultrapassarem a si mesmos. Há corações rebeldes e selvagens que não suportam laços nem correntes, corações que correm tão depressa como chitas e matam como leoas, e depois há corações gnus, que sabem que vão ser caçados mas não fogem ao seu destino...
Há corações que são como rosas, caprichosas e cheios de espinhos e outros que são campainhas, simplórios e carentes sempre a chamar por afecto. Há corações que são como girassóis, rodando as suas paixões ao sabor do brilho e da glória e corações como batata-doce, que só crescem e se alimentam se estiverem bem guardados e escondidos debaixo da terra.
Há corações que são como pianos, altivos e majestosos onde só tocam os que possuem a arte de bem seduzir. E corações como harpas, onde uma simples festa provoca uma sinfonia.
Há corações incondicionais que vivem tão maravilhados em descobrir a grandeza de outros corações que às vezes se esquecem de si próprios... Há corações estrategas, que batem ao ritmo de esquemas e planos, corações transgressores que vivem para amar clandestinamente e só sabem desejar o proibido e corações conservadores, que só se entregam quando tudo é de acordo com os seus padrões e valores.
Há corações a motor, que vivem só para o trabalho e corações poetas só se alimentam de sonhos e ilusões. Há corações teatrais, para quem a vida é uma comédia ou uma tragédia e corações cinéfilos que registam a beleza de cada momento em frames de paixão.
Há corações duros como aço, sem arritmias, onde nada risca e faz mossa e corações de plasticina que se moldam às formas dos corações que amam. Há corações de papel, bonitos e frágeis que se amachucam facilmente e desbotam à primeira lágrima, há corações de vidro que quando se estilhaçam nunca mais se recompõem e corações de porcelana que depois de se partirem ainda sabem colar os destroços e começar de novo.
Há corações orientais, espiritualizados e serenos e corações ocidentais hedonistas e ambiciosos, corações britânicos onde tudo é meticulosamente arrumado segundo costumes e convenções, latinos que batem ao som da paixão e da loucura.
Há corações de uma só porta que são como grandes casas de família e outros de duas portas, uma para a sociedade e outra para a intimidade. Há corações que são como conventos, silenciosos e enclausurados e outros que são como hotéis, onde se paga o amor sem amor, escandalosos e promiscuos. Há corações parasitas, que vivem do afecto dos outros sem nada dar e corações dadores que só são felizes na entrega.
Mas há ainda uma ou outra espécie de corações, os corações hospedeiros que sabem receber e fazem sentir os outros corações como se estivessem em casa, que dão e aceitam amor sem se fixarem, que tratam cada passageiro como se fosse o último, enquanto procuram o coração gémeo, sempre na esperança, secreta e nunca perdida de um dia deixarem de viajar e sossegarem para a vida."

"Há manhãs assim, cheias de vida e de luz, em que se acorda já de olhos abertos e o coração cheio."

"O tempo passa a ser nosso em vez de sermos nós dele. E tudo o que dizemos tem graça, e tudo o que fazemos é fácil, certo e bom...
Não tem nome este estado de graça, de se sentir a vida a pulsar debaixo da pele e coragem para fazer tudo o que ainda não conseguimos. Não tem nome, nem pode ter, porque é tão forte e tão grande que não cabe num dicionário. Não é paixão porque não dói, nem atracção porque não inquieta. É um quase tudo mas ainda não é nada, porque não houve tempo. E o tempo que tão sabiamente apaga desejos incendiários e nos resolve dramas de tirar o sono e secar as lágrimas, é mais uma vez o nosso maior aliado, de mãos dadas com a euforia que nos enche de graça a existência. Só é preciso não ter pressa, deixar passar o tempo devagarinho e fazer figas para dar certo. E eu adoro fazer figas."

"Os finais são horríveis. Fica o ar vazio, deixamos de ver ao longe, de repente apagam-se as luzes e a vida fecha-se aos nossos olhos. Depois do fim, vem a pergunta fatal; e agora? Dá vontade de ir à bruxa para ter uma ideia, mas resiste-se estoicamente, até porque as fadas também se enganam.
Aproveita-se o tempo para telefonar aos velhos amigos, arrumar gavetas e deitar papéis fora, limpar a memória e deixar o coração de molho, em convalescença a carregar baterias.
Mas o pior são as despedidas. É sempre horrível dizer adeus, mesmo que seja só até logo à noite.
Quando gostamos de alguém, apetece-nos ser mosca para ficar a gravitar incógnito à volta dele, ouvirmos a sua respiração, rirmos com o seu riso e penarmos com as suas dúvidas. Sentimos a vocação falhada de anjo da guarda que não está a cumprir o horário."

"Os fins doem tanto. Porque além de acabarem ainda temos de nos despedir."

"Não, não gosto de dizer adeus nem de ver o fim de nada, sobretudo se não lhe vi o princípio. Prefiro dizer até um dia destes, mesmo que esse dia demore anos. Ou então, afastar-me sem uma palavra, e deixar no ar o mistério de não saber quando, como e porque é que nos voltaremos a encontrar.
Assim não sou eu que ponho fim às coisas, mas as coisas que um dia acabarão ou não por si."

"Estas pessoas já são as pessoas que fingem ser." - Sam Shepard

"A mágoa é um estado natural. Tem o seu tempo e o seu estilo, tem até uma estranha beleza. Nós fomos feitos para aguentar com ela." - Miguel Esteves Cardoso

"Mágoa. [...] Está para lá da tristeza, da solidão, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande.
Primeiro grita-se, barafusta-se, soluça-se em catadupas, fazem-se esperas, mandam-se flores, livros sublinhados, convocam-se os amigos para em quórum planearem connosco uma estratégia de recuperação, sente-se aos solavancos e come-se sem mastigar, num torpor raivoso e revoltado. A vida vai mais depressa do que nós, passa-nos por cima e os dias comem-se uns aos outros. Só queremos que o tempo corra para nos apaziguar a dor e acalmar os papos nos olhos.
Depois é o pós-guerra, a rendição, a entrega das armas e as sentenças de um tribunal marcial interior, em que os juízes são a vida e o réu, o que fizemos dela.
Limpam-se os destroços, enterram-se os mortos, tratam-se os feridos que são as nossas feridas, feitas de saudades, desencontros, palavras infelizes e atitudes insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos. Há quem se rodeie de amigos, durma com antigos casos, se enrole numa manta de xadrez e se torne o mais fiel cliente do clube de vídeo da esquina. Há quem tome calmantes, absorva vodka em noitadas vazias como uma esponja inútil, se mude outra vez para casa da mãe, ou parta em uma viagem para um local turisticamente muito apetecível.
O pior é quando se chega lá, apetece tudo menos lá ficar. Percebemos que não há longe nem distância para a dor, e que nenhum amante, amigo, mãe, irmão, droga ou bebida matam a saudade do que já fomos ou de quem já tivemos nos braços.
A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração e começa a deixar sinais aqui e ali, dentro de nós. A pouco e pouco sentimos que já não somos a mesma pessoa.
As cicatrizes podem esbater-se com os anos e ser remendadas com hábeis golpes de plástica, mas ficarão para sempre debaixo dos excertos que fazemos à alma.
O cansaço mata tudo. A raiva de não termos quem tanto amámos, a fúria de não sermos donos da nossa vontade, o orgulho de termos perdido quem mais queríamos. Só não mata as saudades e a vontade de continuar a sonhar que um dia pode mudar outra vez e libertar-nos de nós mesmos e do sofrimento, tão grande quanto involuntário, tão patético quanto verdadeiro.
Às vezes, quando a mágoa é enorme e sufoca, vegetamos em silêncio para que ela não nos coma. Fingimos que está tudo bem, rimo-nos de nós próprios perante os outros e até mesmo perante o outro que vive dentro de nós. Tornamo-nos espectadores da nossa dor. Afastamo-nos de nós, do que somos, daquilo em que acreditamos. No fundo estamos a desistir, como quem volta atrás porque tem medo do escuro, vencidos pela desilusão cansadas de esperar em casa que o mundo pare e se lembre de nós.
Mas o mundo nunca pára. Nada pára. A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor, mesmo com mágoa. Pelo menos a mágoa magoa, faz-nos sentir vivos.
Arde no peito e no orgulho, mas pouco a pouco vai matando a dor.
Torna-se a nossa companheira mais próxima, deixando de nos defender da tristeza que se vai consumindo como uma vela esquecida num presépio morto que uma corrente de ar ou um novo sopro de vida um dia apagará. Mas isso só é possível quando conseguirmos esquecer."

"Tudo o que é verdadeiramente difícil, dá outro sabor à vida."

"O meu coração duplicou de tamanho, vi o futuro num instante e pensei: isto não pode ser verdade, é impossível sentir tanta paz, tanta serenidade, de repente eu já não tinha ossos nem cartilagem, era toda feita de mel. Do peito escorria-me amor, a cabeça fervilhava de ideias, a alma consumia-se na mais deliciosa das paixões."

"Nunca o silêncio me foi tão grato, nunca o sossego foi tão perfeito."

"Não há nada melhor do que estar apaixonado. Nem pior. Primeiro estranha-se, depois, entranha-se. A paixão dá para tudo. Para rir e chorar, fazer confidências, namorar ao luar a beber coca-colas de lata e sentir-se mais feliz do que se se estivesse numa suite. Do trigésimo andar do Pierre em Manhattan a beber Don Perignon.
Estar apaixonado é um estado de graça e de desgraça. Tira o sono e dá speed. Rouba a fome e mata a sede. Perde-se a noção do tempo, espaço, até do ridículo. Ganha-se força, vontade, desejo e anos de vida. Estar apaixonado é investir uma fortuna que demorou anos a amealhar num negócio de alto risco. E ainda por cima fazê-lo conscientemente. Porque a paixão é melhor do que qualquer bebida, droga ou paraíso terrestre. Uma pessoa apaixonada vai onde quer porque passa de repente a desconhecer os seus limites. Vê-se sem perceber bem como a fazer coisas impensáveis."

"Tal como o sábio druida Panoramix ficou tantã quando alguém distraidamente deixou que lhe caísse um menir em cima, assim ficam os apaixonados. Poéticos, extasiados, anestesiados, prostrados, ou para quem está de fora, aparvalhados."

"Nada conta porque faça chuva ou sol, os dias são todos azuis e apesar de terem sempre 24 horas, não há nenhum igual ao outro. É preciso viver uma paixão até ao fim, mesmo que seja amanhã, porque o que conta é o que se sente aqui e agora. A paixão faz-nos sentir prisioneiros e livres ao mesmo tempo. E não há melhor do que saber que se tem asas e preferir não voar, só para ficar no ninho e esperar que um dia um ovo choque e dele nasça o futuro da paixão."

"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a fazer.
E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordeiramente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Às vezes, é preciso partir antes do tempo, dizer: aquilo que mais se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que a vontade de mudar é sempre mais forte, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito. Somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.
Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo a baixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda-fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio, paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.
Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer."

"Não sei há quantos dias ando nisto, sempre ouvi dizer que o amor faz dos estúpidos inteligentes e torna as pessoas inteligentes em estúpidas, mas sinto-me cada vez mais idiota, estupidamente idiota, mergulhado numa espécie de estado de graça quase divina, como se ser feliz também fosse não querer saber de nada, não me importar com coisa nenhuma, não ser nunca mais obrigado a pensar em nada, só sentir e amar e amar e sentir.
Não sei há quantos dias ando nisto, quando se perde a cabeça - devia era dizer-se quando se perde o coração, porque é este que primeiro se parte, se desfaz, se transforma numa massa qualquer sem forma que faz todo o sentido - perde-se a noção do tempo e do espaço, os dias são intermináveis até que a tua presença os apazigua, a casa fica enorme e vazia na tua ausência e as árvores só dançam quando já chegaste para me encher a sala, a mesa, a cama e então estás em todo o lado, és os objectos e os sons que me cercam e me embalam, como se o mundo existisse lá fora, como se o universo inteiro chegasse e partisse contigo.
E acredita é como se sentisse o mundo inteiro na mão a pulsar em golfadas silenciosas, uma espécie de poder que só sente quem ama e se entrega, quem aceita o bilhete sem volta de uma viagem alucinante ao outro lado da vida, ao lado onde não há tempo nem medo, onde palavras, gestos e sentimentos só servem para amar.
Dizem que isto não dura sempre, que a paixão é um estado que diminui um homem e o escraviza ao desejo dos sentidos, mas não acredito que não possa ser verdade e que não possa ser a melhor coisa do mundo.
Vivo, respiro, durmo e alimento-me de paixão, olho à minha volta e vejo-te em todos os cantos, a tua voz paira ainda no ar a chamar-me baixinho e a dizer quero-te, quero-te, quero-te e é por isso meu amor, que não sei há quantos dias, meses, anos me perdi em ti e neste amor, mas não quero saber, já não me importo com nada, quero lá saber do frio, do calor, da chuva, dos impostos, do partido..."

"Adormeço todos as noites na tua alma."

"Já me eclipsei."

"Já não existo, não sinto, não sou quando tu não estás ao meu lado."

"Ela não gostava de ninguém e ele gostava dela."

"Desligar o cérebro e gozar a vida exclusivamente pelos sentidos. Não pensar, não lembrar, não racionalizar, não analisar, só sentir, sonhar, rir, numa palavra viver."

"Quando um coração se fecha faz muito mais barulho do que uma porta." - António Lobo Antunes.

"Nunca percebi quando se deixa de ser pequeno para se passar a ser crescido." - António Lobo Antunes.

"Eu sei que não sou crescida, nem nunca o serei."

"Com o coração fechado para o mundo e aberto para a vida."

"Ser mulher dá um trabalhão e eu estou farta."

"A paixão destrói, desgasta, cega e ensurdece. É uma espécie de doença cuja cura nunca será descoberta. Será por isso que se diz que o pêlo de cão se cura com o pêlo de outro cão? Será que a paixão só se cura com outra paixão?"

"Paixão é para os desportistas e eu acabei de arrumar as botas."

"Há pessoas que entram na nossa vida para nunca mais saírem. E ainda bem. Lembro-me dela quase todos os dias, por coisas tão pequenas que nem vale a pena mencionar, mas a vida ensinou-me que se devem tratar as coisas importantes como se fossem pormenores e a dar maior valor aos mais pequenos pormenores."

"Há dias em que me sinto vazia, como se um cansaço imenso e letárgico se tivesse instalado sem pré-aviso e me tolhasse o coração e o espírito. São dias em que acordar é pior do que ter um pesadelo e levantar-me da cama parece mais difícil do que atravessar o Atlântico a nado.
Manhãs submersas em recordações e saudades, a sonhar calada tudo o que quis e nunca tive, mais o que já mereço mas ainda não alcancei."

"A dor afasta a dor." - Pedro Paixão

"Amar também é não saber porquê, deixar-se ir, acreditar em alguém que provavelmente nem merece a nossa entrega, mas mesmo assim arriscar, duvidar, saber esperar até que o tempo nos confirme se nos enganámos ou não."

"É melhor doer do que não sentir nada."

"Um grande amor nunca se faz sem entrega, e se não há entrega, então é porque não há amor. É como quem ama a vida; nunca tem medo de se entregar a ela, mesmo que isso lhe custe a sua própria existência. Quem tem medo da vida e da vontade, acaba por não viver. Eu só sei amar assim, com as mãos estendidas e o coração sem defesas. Chamem-me romântica. Eu acho que sou apenas lúcida. Se não viver assim, com o coração fora do peito, embalada por um sonho que me aquece o corpo e o espírito nas noites de mais um Outono morno e luminoso, sei que a tristeza pode tomar conta da minha vida e a seguir à tristeza ou vem a indiferença ou a loucura, que afinal podem ser e tantas vezes são a mesma coisa."

"É preciso saber viver o amor, esquecer mágoas e matar inseguranças e acreditar que vale a pena amar alguém, que vale a pena partilhar o nosso amor, mesmo que quem o recebe não saiba abrir as mãos para o agarrar."

"Não, não partas já, espera um pouco ainda, espera que o tempo passe e nos apazigue a alma, nos arrefeça os ímpetos e nos faça voltar à terra, a essa estúpida e reguladora rotina que nos rege os dias e as noites e nos faz sentir que afinal somos pessoas normais, donas da nossa vida e do nosso coração. Espera só um momento, deixa que o silêncio perpetue os nossos momentos de perfeição, a comunhão das nossas almas em noites passadas em claro, em conversas ligadas por um fio invisível, o fio do desejo, daquele desejo duradouro e certo que o tempo não mata, só ajuda a cimentar, que a distância não destrói, só ajuda a alimentar.
Espera só mais um instante, até que a tua memória quente cristalize os nossos momentos e os preserve como um tesouro secreto por mais ninguém descoberto e cobiçado. Guarda bem estes instantes, num lugar qualquer entre a tua cabeça e o teu coração, que deve ser mais ou menos onde se situa a alma e espera que o tempo te diga se o que sentes vai crescer e dar sentido à tua vida."

"Espera só mais um ou dois minutos, eterniza este abraço, grava-o na tua memória para que amanhã e depois, e depois te dê apoio e protecção, te faça sentir amado e desejado, como uma mãe que ama um filho, sempre e em silêncio, sem nunca perder a paciência, sem nunca cobrar, sem nunca pedir, só dar, dar, dar.
Espera ainda, esconde tudo, leva o meu cheiro para casa e esconde-o dentro de uma gaveta, não deixes que ninguém saiba que te quero e te desejo, não deixes que te falem de mim, não oiças o que os outros dizem, eles não estão no meio de nós, ninguém está no meio de nós, só nós é que estamos aqui, a vida que vivemos é a nossa vida e não a que os outros querem que seja. Vive cada minuto intensamente e no maior segredo, faz como aquele poeta que só deixou que as suas palavras fossem lidas depois de morrer, para que ninguém o julgasse ou pudesse apontar-lhe o dedo.
Guarda-me bem, perto de ti, sempre perto, mesmo que eu não te veja ou tu não me fales, estarei ali, junto de ti, como Vénus sempre atrás da lua quando o dia cai e a noite se levanta, silenciosa, altiva, celeste e discreta. Deixa-me ficar ai, ai ninguém me vê, estou protegida pela discrição da noite, pelo silêncio dos pássaros que já dormem e não nos podem denunciar. Serei uma sombra, um suspiro, um sorriso, uma festa no teu cabelo.
E a minha presença, certa e segura junto ao teu coração, vai-te trazer de volta os sons das nossas conversas, a temperatura das nossas mãos entrelaçadas uma na outra, o sabor da minha boca na tua, o meu olhar dentro do teu como se nunca tivesse partido, como se nunca mais precisasses de voltar a essa estúpida rotina que nos rege os dias e as noites, e nunca mais te sentirás uma pessoa normal, igual às outras, porque é agora que podes ser dono da tua vida e do teu coração, é agora que tudo pode acontecer de outra forma e a vida se transformar em algo que sempre sonhaste!"

"O calor inspira, o frio interioriza."

"Gosto do teu ar, do teu olhar, da tua forma de andar, das tuas mãos guardadas nas minhas, gosto de te cheirar, de te sentir, de me calar para te ouvir, de me deitar ao teu lado para dormir e depois acordar, depois espreguiçar-me e levantar, e rir e dançar e cantar e cada dia outra vez começar um novo dia a sonhar.
Gosto da tua boca certa e do teu cabelo farto, da tua voz cantada e aconchegante, dos teus beijos longos, dos teus abraços infinitos, das tuas piadas e risadas, dos teus braços à volta do meu, as duas cabeças encostadas, os ombros em paralelo, as pernas dobradas e os pés juntos, gosto do teu hálito fresco e do teu sorriso aberto, da tua cabeça arejada e do teu olhar mais secreto, gosto de te ver junto ao meu peito a contar as batidas do meu coração, de sentir que estás sempre perto e sempre estarás, que vives cá dentro e mesmo na ausência, quando só te vejo com os olhos fechados e as mãos juntas em concha, sei que és perfeito, sei que voltarás, sei que estás quase a chegar, que cada minuto que passa é só mais uma etapa na minha espera, por isso espero calada e feliz, e nas letras que transformo em palavras imagino a cor e o sabor, deste amor, deixo-me levar, crescem-me asas e de repente desato a voar, a voar..."

"Gosto de te ver a rir e a brincar, gosto do teu cheiro e do teu olhar, gosto de te ter sempre perto e de sentir que tudo está certo, de saber que afinal vale a pena acreditar que um dia a paz acaba sempre por chegar, que não há esperas vãs nem dias perdidos, que todas as noites são de lua cheia e todas as manhãs estão cheias de ti, meu amor, quero-te, quero-te, quero-te.
Por isso abre as mãos e o peito, deixa-me ficar para sempre lá dentro, guarda-me em ti e espera sem esperar a cada dia que passar, que este meu amor imenso, doce, intemporal resista ao tempo, resista ao medo, resista ao mundo, resista a tudo e não precise de mais nada a não ser de ti, tu que és principio e fim, que estás no meio de tudo, que atravessas a vida de mão dada comigo, tu de quem eu gosto, gosto, gosto."

"Não sei como poderia sobreviver sem o meu pai. Mal, com certeza. Quem me aqueceria o coração quando o cansaço me invade os ossos? Quem, com voz baixa e meiga, me dissiparia as dúvidas e os receios, quando o mundo de vez em quando se lembra de me chatear e se transforma num monstro ameaçador?"

"Aprendi a ler nos olhos dos outros, aquilo que eles não sabem como dizer, a ouvir no silêncio súplicas de desespero, e estender primeiro a mão, quando a outra, que ansiosamente nos espera, se enrola dentro da sua gémea à procura da nossa."

"Mas aprendi outras coisas muito mais importantes, como a ser independente, a respeitar os outros mesmo quando não os percebo, a calar-me agora para poder falar mais tarde, a ouvir sem pressas e a ter sempre uma palavra de ânimo para quem precisa."

"É uma coisa estranha a morte. Tem, corpo, cheiro e cor mas nunca nos conseguimos habituar a ela. E mesmo quando se anuncia e treinamos o coração à ideia, quando ela chega, nunca, nunca estamos preparados."

"Se eu pudesse agarrava-te todos os dias nos meus braços."

"Fazias as pazes com o teu passado e percebias que podemos ter aquilo que sempre quisemos, que nada é impossível quando o que queremos é verdade e está certo."

"E deixava a vida fluir, esquecia-me dos teus defeitos e tu dos meus e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos.
Se eu pudesse, levava-te agora para casa, sentavámo-nos à lareira a conversar, explicava-te porque é que um dia reparei que existias e sem querer me esqueci do meu coração entre os teus dedos.
Se eu pudesse...mas não posso, porque ninguém caminha sozinho, uma ponte só se constrói se as duas margens deixarem e o rio só corre se a corrente o empurrar. E eu não sou mais que uma gota de água nesse rio parado, uma peça perdida de uma ponte desmantelada, um mapa riscado que se esqueceu de todos os caminhos, uma folha em branco que perdeu a caneta, um estandarte sem bandeira, uma voz sem som, uma mão sem a outra. Falta-me a tua voz, o teu desejo, o teu querer, o teu poder. Falta-me uma parte de mim que te dei e que agora já não podes devolver.
Um dia havemos de nos entender."

"A vantagem da lingerie é que uma mulher que não seja bem feita fica engraçada e uma mulher engraçada resulta numa autêntica bomba."

"Há coisas na vida pelas quais lutamos e conseguimos. E outras pelas quais não vale a pena lutar."

"Aprendi que o tempo não se perde, gasta-se. Que o tempo que temos para os amigos é sempre pouco."

"As pessoas de quem gostamos também morrem."

"Se não escrevesse enlouquecia."

"Às vezes é preciso respirar fundo antes de responder, calar em vez de falar, fechar a gaveta sem a arrumar."

"Aprendi a ouvir os outros corações a bater a um ritmo diferente do meu, que cada alma tem o meu modo e o seu tempo, que amar é saber respeitar o tempo e o modo de cada um."

"Estar parado também é uma acção."

"Estar calado também é comunicar."

"Ficar quieto pode ser a forma mais inteligente de agir."

"O amor é uma doença contagiosa que se propaga de forma descontrolada."

"A sinceridade é uma arma perigosa."

"O amor tem muito de guerra, e muito pouco de paz."

"O tempo ensina-nos a viver com os nossos defeitos e a respeitar as diferenças dos outros."

"O amor abre o coração, desprotege o espírito, acorda o corpo e aquece a alma."

"Amar é outra coisa. É dar sem pensar, é sonhar o dia todo acordado e dormir sem nunca adormecer, é galgar distâncias com agilidade e destreza, é viajar sem sair de casa, escolher livros e programar surpresas, namorar o telefone à espera que ele toque, acordar depois de duas horas de sono com cara de bebé, sentir que somos invenciveis e que a perfeição está tão perto."

"A primeira condição para ser-se fiel é querer ser fiel. O querer é que conta."

"Olho para ti e vejo em muitas coisas a mulher que também sou. Mas também vejo um escudo que me protege do mundo, uma voz sempre afável e disponível, um sorriso aberto e franco, uma mão pronta a dar, um ombro preparado para receber as minhas lágrimas e tristezas. És um pilar, mesmo quando te sentes fraca e vulnerável, és um ponto de equilíbrio que me faz atravessar o arame sem medo porque sei que estás do outro lado com a mão estendida à minha espera.
És linda M, pareces uma princesa da Flandres e como todas as mulheres excepcionalmente belas, achas sempre que estás feia ou que podias estar muito melhor. Mas eu vejo-te assim, perfeita, quase a voar quando caminhas, como se a terra te projecta-se no ar, leve como uma pena, a pairar, a pairar... Ensinas-me coisas tão diferentes como escolher os ténis que estão na moda ou aprender a ouvir as batidas do meu próprio coração. Ou então gastas o teu tempo comigo sem nunca me fazer sentir que o estás a perder e ouves-me vezes sem conta a contar a mesma história como se fosse sempre a primeira."

"Fazes parte daquele grupo de pessoas com quem posso contar para tudo na minha vida sempre e para sempre, e se calhar é por isso que as mãos me tremem de emoção ao te escrever estas palavras. Tu dás-me muito do que não tenho e no entanto nunca descansas, nunca te cansas de tentar descobrir em mim o que me falta para ser melhor e mais feliz. Acreditas, incondicionalmente nas minhas capacidades, relativizas os meus defeitos, aturas as minhas neuras, partilhas as minhas vitórias, estás ao meu lado para o que der e vier.
Dás-me paz, companhia, doçura, harmonia, amor, serenidade, confiança. Dás-me a mão, o teu coração e a tua cabeça, as tuas memórias e os teus projectos, fazes-me sentir importante quando estou do tamanho de uma ostra e fazes-me rir quando quero chorar e chorar quando rio.
Uma amizade assim não tem fim, mas tem principio e meio, e no meio de tudo isto só te posso dizer minha querida M que o mundo não teria a mesma luz se tu não fizesses parte dele."

"Escrevo-te a ti, que andas por ai à minha procura, numa solidão povoada, vazia e acomodada à espera que a vida te ponha no caminho uma mulher como eu. Não sei como te chamas nem por que inicial começa o teu nome, mas sei que existes, que me esperas e desejas e que um dia farás parte da minha vida."

"O amor quase nunca é feliz e raramente se sente ao mesmo tempo e da mesma maneira."

"Não lamentes a tua tristeza, mergulha nela como um peixe na água, esgota-a, em lágrimas e gritos, e depois deita-a fora quando já não te servir para nada e não for mais do que um peso morto e ultrapassado na tua consciência."

"Vi-te sem te ver."

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