sábado, 4 de abril de 2015

Filomena Falé - Azul bebé

Azul bebé é um livro contado por uma bebé que ainda não nasceu, ou seja, é a vida da mãe e das amigas da mãe vista da perspectiva de um feto dentro da barriga.
Os primeiros capítulos são divertidíssimos com os comentários do bebé, depois à medida que começam a entrar as falas dos adultos torna-se mais sério.
É um bom livro, com comédia, romance, drama e contado de uma forma original.
Aprovado e recomendado.


"Pela vivência de um amor imenso, que não conhece tempo nem espaço."

"Ser mulher é isso? É contar tudo às amigas, é pedir conselhos e depois...fazer tudo ao contrário?"

"Esta mulher é orgulhosa para lá do possível. Para o bem e para o mal."

"A minha mãe é uma mulher inteligente, mas quando se trata do António parece que fica com o cérebro paralisado."

"A dor e a tristeza continuaram, mas o fardo dividido custa menos."

"É uma mulher feita de aço, mas muito terna."

"Estou tão deprimida que nem para mim sou boa companhia."

"As saudades são físicas e totais."

"Sinto que nunca vai chorar por causa dele. Mas está rasgada de dor por dentro."



"Ela não sente um pingo de raiva do António, o amor que ela sente por ele tem a mesma força, a mesma intensidade de sempre.
Ela decidiu que não lhe ligava mais e assim tem feito. Decidiu que não o procurava mais e assim tem sido.
Limita-se a deixar correr o tempo, um tempo que custa a correr porque os dias são infinitos sem a voz dele. Este tempo é lento porque não suaviza o vazio da presença dele, nem a ausência do toque."


"Não há tempo que diminua o tamanho do amor que a minha mãe sente, não há tempo que feche as feridas."

"Está desfeita de dor, o sangue da ferida que teima em não fechar. A carregar dentro dela o amor por um homem."

"Sinto um amor profundo pela minha mãe, embora ela me consiga irritar até à loucura."

"Pertence ao género de mulheres que faz do amor uma bandeira e da felicidade uma vocação."

"Será que as mulheres têm o exclusivo da manifestação de ternura?"

"Há ocasiões em que as palavras estão a mais. Basta sentir."

"Ela é tão gira, tão exuberante, sempre super-bem-arranjada, muito alta, uns olhos perspicazes, uma boca feita para sorrir, um ar permanentemente irónico a esconder (mal) uma sensibilidade, uma inquietação e uma inteligência que não tem fim. A Elsa é uma salada de frutas composta de coisas que aparentemente, não combinam: liberal e conservadora, forte e frágil, doce e agressiva."

"Estou com um ataque de António. Já gritei o nome dele às paredes e aos gatos, mas ele não me responde."

"Não sei se é karma ou maldição, tudo o que sei é que dói cá dentro."

"Estou cansada de tudo. De lutar, de sorrir, de ter falta de dinheiro, de sentir a ausência do António.
É esta lucidez que nunca me abandona que não me permite fingir que está tudo bem. Até posso disfarçar perante as outras pessoas [...], mas, a sós comigo mesma, não posso fingir.
Apetecia-me adormecer e só acordar quando estivesse tudo bem outra vez."


"Sinto-me sozinha contra o mundo inteiro."

"Uma amiga como a Elsa ajuda a viver e a manter a esperança viva."

"Gostou e gosta. Tem é medo e você não. Ele tem muito medo. Medo de se entregar, medo de se expor, medo de sofrer. Ele nunca lhe contou, mas eu posso dizer-lhe que o António já sofreu imenso, em relacionamentos anteriores. Por isso desaprendeu de receber para não ter de dar."

"O amor pode tudo."

"Acredita para lá da esperança."

"O teu lugar no coração dele, esse, não é uma gaijinha qualquer que o vai ocupar. Mesmo que até goste dela."

"O meu orgulho foi recompensado, o meu amor não."

"Aceita a fraqueza e a humanidade do António. Ama-o por ele, ser fraco e humano e não tenhas expectativas sobre ele. O tipo não pode ser mais do que é, não pode dar mais do que tem.
Ajuda-o a ser mais e sejam felizes."

"Ele é seropositivo mas não está morto."

"Eles amaram-se tanto que faziam amor inteiros, a energia de um em uníssono com a do outro."

"Amo tanto a minha filha que parece que o peito rebenta. É um amor único."

"Amo todas as fases da vida dela, amo-a inteira."

"O meu amor pelo António deve ser mesmo muito forte, porque transborda, sai-me pela pele e pela garganta. Como é possível continuar a amar desta maneira um homem que só se entregou em prestações suaves e que desapareceu no dia em que lhe disse que estava grávida?"

"Só de ouvir a voz dele fiquei com vontade de gritar, só de o sentir falar comigo fiquei com vontade de beijar, a mera hipótese de o voltar a ver deixou-me a tremer.
Não acredito que a vida me tenha dado um amor assim para ser desperdiçado."


"Tens a faca e o queijo na mão. Só espero que saibas cortar bem as fatias."

"Ele é o homem que eu amo, logo, é o homem certo para mim."

"Só quem se ama a si próprio é que tem capacidade para amar outro."

"Percebi que, embora o meu amor por ele seja enorme, nunca mais vou permitir que ele me incomode ou invada."

"Deixei de fumar, de beber e de fazer amor... restam-me os doces."

"Ele é incrível. Até tenho medo de que os deuses possam ficar com ciúmes da minha felicidade..."

"Tudo o que é oferecido com o coração não pode ser recusado."

"Eu gosto muito quando a Elsa fala com o coração nas mãos."

"Deus quando fecha uma porta abre sempre uma janela."

"Primeiro que tudo, antes de tudo... existe a entrega, física e total.
Conhecer o toque da língua e o sabor do cheiro; de olhos fechados.
A geografia do corpo e a pele aprendida até à exaustão, com as mãos, com a boca, com os olhos.
Saber que aquele grito estrangulado que parece um soluço e não é mais do que a repetição de um nome vai surgir.
O conhecimento dos corpos é lento e deve fazer-se devagar, para que a repetição transforme os gestos e os sussurros em componentes de um ritual.
Depois acontece a entrega: "toma o meu corpo, eu deixo".
Mas antes do antes, existe o amor. Tem de existir.
Redime e dá sentido. O profano passa a sagrado, o sagrado transforma-se em cimento.
Existe antes de tudo e para lá de tudo. É o antes do antes e o depois do depois.
Amor é saber: "conheço-te para lá do tempo e do espaço. Sei de ti onde quer que estejas."
Quando o amor e o corpo se encontram, a chama da divindade é acesa. Quando dois corpos nus se cruzam e torcem por amor... não há nada que esteja fora do lugar.
O amor manifesta-se de forma física, é possível sentir-lhe a textura e o gosto.
Nunca cansa, é de sempre.
Aceitar o amor é apanágio de quem aceita a vida. É característica de quem esperneia, de quem se sabe indignar. O amor não direccionado - vulgo solidariedade - é importante, mas não arranha.
Uma coisa é certa: aceitar o amor e a vida não dá felicidade; mas justifica ser aqui e agora."


"O tipo fez-me sofrer como ninguém. Para ser sincera, acho que ele nunca me fez feliz e eu só achei que sim por sentir um amor tão grande. Mas nada é eterno e o amor também não."

"São as diferenças que atraem e unem as pessoas, é pelas diferenças que podemos crescer e ser complementares."

"Vivia em esperança."

"Os pés na terra e o coração ao alto."

"Quero uma pessoa que me valorize, que me deixe voar e que esteja ao meu lado nas minhas quedas.
Quero uma pessoa que me deixe seguir o meu caminho, mas que ande ao meu lado. Já não tenho ilusões de que 1 + 1 = 1. Nem pensar: 1+ 1 = 2. Ou seja, eu pretendo uma relação em que tenha espaço e em que quero dar espaço ao outro. Cada um a evoluir singularmente e a evoluir em conjunto."

"Em bom português, eu amo o António, mas não o quero."

"Pele com pele - pele contra pele.
Línguas que se encontram, respirações misturadas, pernas que se abrem e um coração que se entrega.
É esta a essência do amor.
A essência do amor é física, é feita de gritos, de suspiros, e de suor.
A essência do amor é liquida e morna. É a única forma de dizer o que não se consegue pronunciar. É a única forma de manifestar o que não é visível.
Quando o amor, na sua essência, é passado cá para fora a vida entra num turbilhão. Em dias vivem-se anos, em meses vivem-se vidas.
Tudo traduzido numa só coisa: pele com pele - pele contra pele.
Porque o amor também pode ser uma guerra. Tanto no amor como na guerra... por vezes vale tudo."

"É incrível como uma palavra infeliz pode matar um encantamento."

"É a minha companheira nesta vida, é a mulher que a minha alma escolheu."

"Às vezes é preciso um catalisador para fazer surgir o que cada um tem de melhor, para largar os medos, para aceitar um amor que nos sai pela pele, que transborda e aquece o mundo inteiro."

"O que foi senão desprezo por mim própria o que me levou a aceitar as sobras de afecto que ele me deu?"

"Estou nas mãos de Deus."

"A serenidade dela é grande e provém do encontro dela... com ela própria. Todas as noites, antes de adormecer, pensa no António e sonha com ele muitas vezes. Simplesmente ela aceita esse amor como fazendo parte dela e da vida e já não se deixa perturbar."

"Já tinha perdido as esperanças de o voltar a encontrar, mas o vazio que tinha dentro de mim era enorme. Deus sabe como tentei preencher o lugar dele com todos os meus relacionamentos, mas se falharam era porque não tinha de ser. Ontem, quando ele me deu a mão... Senti-me no meu lugar, certa comigo e com a vida."

"A lutar por sobreviver sã ao vazio do toque das mãos dele."

"A ausência dele ainda não parou de doer."

"Já não me lembrava do sabor que tem fazer amor."

"Os amigos devem ser usados e abusados, que o amor quando é verdadeiro nunca se parte ou se sente utilizado."

"O que nos liga é um ninho, um porto seguro onde dividimos sonhos, alegrias e lágrimas."

"Amas assim é um segredo divino."

"Há tempos para tudo e são todos perfeitos: tempo para sucederem coisas e tempo de calmaria; tempo para largar e tempo para agarrar; tempo para a saúde e tempo para estar sozinho e tempo para estar acompanhado. Só há um ingrediente que é comum a todos os tempos - é o amor.
Há ainda outra coisa: em todos os tempos, em todas as mudanças há duas formas de estar, a activa e a passiva. Na activa tu própria crias os tempos e as mudanças; na passiva deixas-te conduzir. Uma ou outra são opção tua. Só tens de escolher qual é a que queres e agir com conformidade."

"Procura-te no silêncio. Procura a voz de Deus no teu espaço interior."

"Para sentir Deus não são precisas fugas. É no dia-a-dia que esse sentido deve acontecer, com a toda a simplicidade."

"Tanto a tristeza como a alegria têm outro sabor quando são partilhadas."

"Pensas muito mas sentes pouco."

"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar."

"Merda atrai merda."

"Um sorriso de aquecer o mundo."

"Viver a viver vidas alheias é uma vida em segunda mão."

"Grávida até ao cérebro."

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