sábado, 28 de março de 2015

Sebastian Barry - Escritos secretos

Quantas vezes passamos por alguém toda uma vida sem nunca nos darmos ao trabalho de a conhecermos realmente?
E se quando nos decidimos fazê-lo, descobríssemos algo capaz de abalar todas as nossas estruturas?

É daqueles livros que não se adivinha, que estamos a ler e a pensar: "há aqui qualquer coisa que não encaixa" mas à medida que vamos lendo descobrimos que afinal tudo encaixa, tudo faz sentido.
Fiz a minha primeira - e única - "adivinhação" após 200 páginas de leitura, o que não é nada habitual.
São duas histórias que se contam juntas e separadas de maneira magnifica. Mais do que recomendado.

"A maior imperfeição está na nossa visão interior, isto é, sermos fantasmas aos nossos próprios olhos." - Sir Thomas Browne

"O mundo começa de novo com cada nascimento."

"O horror e a mágoa na minha história aconteceram porque, quando eu era jovem, pensava nos outros como autores da minha felicidade ou infelicidade; não sabia que uma pessoa podia erguer um muro de cimento e tijolos imaginários contra os horrores e as partidas cruéis e sombrias do tempo, assim se tornando autora de si própria."

"E um homem que se consegue fazer feliz apesar dos desastres que vêm ao seu encontro, como vêm ao encontro de tantos, sem misericórdia nem favor, é um verdadeiro herói."

"Aqueles que amamos, aqueles seres essenciais, são-nos tirados ao sabor da vontade do todo-poderoso ou dos demónios que o usurpam. Quando tais mortes acontecem, é como se um enorme pedaço de chumbo cobrisse a alma, e onde antes estava essa alma sem peso, instala-se um fardo secreto e devastador, bem dentro de nós."

"A religião raramente cria problemas onde existe amizade."

"Há momentos em que me invade uma alegria inexplicável, como se, não tendo nada, tivesse o mundo."

"Os meus segredos são a minha fortuna e a minha sanidade."

"Lágrimas lentas, discretas, que ninguém vê, ninguém seca."

"Era tão enérgico e esmerado que não tinha antena para a dor."



"Quem vê horrores pode cometer outros horrores igualmente terríveis, é essa a lei da vida e da guerra."

"A compaixão é a minha fraqueza."

"Agora somos dois países estrangeiros que apenas têm as suas embaixadas na mesma casa. As relações são cordiais, mas estritamente diplomáticas."

"Tanto quanto me lembro, nunca ninguém é tão velho como uma rapariga de quinze anos."

"A dor que não envelhece, que não desaparece com o tempo."

"Uma criança nunca é autora da sua história."

"O juízo da minha mãe estava agora num sótão da sua cabeça que não tinha porta nem escada, pelo menos que eu conseguisse encontrar."

"A morte, mais do que toda a criação, conhece o valor da vida."

"Depressa nos tornámos amigas e éramos o reduto uma da outra contra o mundo."

"Já tenho a cabeça tão cheia de dor como uma romã com as suas sementes vermelhas. Só posso sangrar dor, não tenho espaço para mais."

"Há poços de dor que só aqueles que sofrem conhecem."

"A luz do sol sabe ler rostos."

"Nunca houve uma pessoa, num lar de terceira idade, que não olhasse com desconfiança os seus outros habitantes. Eles é que são os velhos, o clube ao qual ninguém quer pertencer. Mas nunca somos velhos aos nossos próprios olhos. Porque afinal, o navio em que navegamos está na alma, não no corpo."

"Ainda bem que os nossos pensamentos são silenciosos, fechados, ilegíveis."

"Quem consegue definir com exactidão a causa das lágrimas humanas?"

"Estou profundamente farto da mente racional."

"Tudo o que resta de mim é um rumor de beleza."

"Não é tudo, afinal, uma questão de tempo?"

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