terça-feira, 3 de março de 2015

Cláudio Ramos - Abraça-me

Vou começar por aquilo que pode irritar no livro; primeiro a escrita é leve leve leve, tão leve que nos faz perder um bocadinho a vontade de ler, segundo o narrador/personagem - como lhe quiserem chamar - tão depressa está a falar com a morta como está a falar com ele próprio o que atrapalha a leitura, terceiro as frases tão depressa estão escritas no passado como no presente, a mesma frase pode começar escrita no passado para acabar no presente o que ás vezes é muito ilógico e quarto a bajulação à Cinha Jardim no livro é muito fora de mão - para não dizer ridícula.
Agora os pontos positivos, há umas tiradas de humor que nos fazem rir no meio do nada e a partir do momento em que nos habituamos à escrita leve o livro lê-se bem, além disso passamos o livro todo a achar que a história aconteceu de uma forma e no final descobrimos que afinal não foi assim e é inevitável soltar um "óh!" quando lemos o "facto" novo.
Então resumindo, não é um livro bestial, esperava mais do autor e até acho que pode fazer bem melhor, mas também não é um mau livro.
Acho que para pessoas que estejam habituadas a tipos de escrita leve, o livro até deve ser considerado muito bom, para mim valeu pelas vezes em que me ri e pelo "óh!" que soltei quase no final do livro.


"Dizem os sábios que quem sofre calado, sofre muito mais."

"Gostava tanto de ter feito do nosso tempo uma história mais bonita e muito mais feliz."

"Deus existe e está lá em cima a olhar por nós. Não nos faz tudo, é certo mas orienta-nos no caminho, nas encruzilhadas da vida."

"Prometo aqui, em silêncio e nesta festa, que um filho meu não passará por nenhuma privação de que eu seja responsável. Que eu ame ou não a sua mãe, nunca lhe faltarei ao respeito e, como não pediu para vir ao mundo, quando vier tem de ter toda a gente à sua espera de braços abertos num berço azul forrado de conforto. Pode não ser o melhor berço e o azul também pode estar desbotado, mas o amor e a certeza de que é querido ninguém lho tira."

"Para o António tudo lhe servia. Ainda hoje tudo lhe serve, o que não entendo é como é que ele serve a alguém." 

"Há vezes em que temos de fazer um luto estúpido porque o subconsciente nos pede sofrimento."

"Se não a entendes, não a julgues!"

"Porque sinto eu, meu Deus, tanta solidão?"

"Não se é amigo por obrigação."



"Não sei se se morre ou não de desgosto, mas sei que muitas vezes apetece morrer de saudade!"

"Ando aflito com tanto passado a invadir-me o presente..."

"Porque é que tem de ser assim?
Porque é que sonhamos tanto e de repente tudo é interrompido como se o contrato com a vida, com a felicidade, acabasse ali como se não pagassem as prestações a tempo?"

"Confiança de mais pode abrir uma porta para a infelicidade."

"Faltou-nos um futuro, o nosso."

"Quem não vai atrás dos sonhos não se pode queixar da vida."

"Que mundo é este, onde somos meras marionetas no palco da vida?"

"Quem disse que o dinheiro não traz a felicidade é porque não sabe onde ir às compras."

"Não se pode ser feliz em cima da infelicidade de ninguém."

"Acho que nunca te amei tanto como te amo agora que não estás."

"Se ficamos sem o alvo do nosso amor, o que fazer com o que sentimos?"

"Como se enfrenta um dia com a certeza de que o amor da nossa vida se foi?"

"Escolher também é perder!"

"E o tempo passa. A ferida continua exposta, a saudade não diminui, ao contrário do que sempre dizem, o tempo parece não ser meu aliado."

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