quarta-feira, 23 de julho de 2014

Elizabeth Subercaseaux - Uma semana de Outubro

Este livro tem qualquer coisa de fantástico. A história é aparentemente banal mas a forma como está escrito prende-nos completamente, num capitulo ela escreve, no outro ele lê e nós descobrimos que talvez as coisas não sejam como ela escreve e no fim fica a dúvida, verdade ou mentira? Achei fabuloso, não pela história mas pela maneira como nos prende até ao fim.


"O casamento é a forma mais difícil de se viver com outra pessoa. Faz desaparecer os enigmas da relação, junta aquilo que talvez nunca devesse juntar-se, compartilham-se coisas que não deveriam ser compartilhadas, vai emudecendo subtilmente os conjugues porque as palavras vão perdendo o seu antigo brilho, o que anteriormente parecia uma ideia original acaba por parecer uma ideia mil vezes repetida, mais que sabida, velha, com o passar dos anos as pessoas começam a não se ver e já não se aborrecem, mas também não provocam fúrias entre si, nem paixões, nem há motivos para reconciliações. Já não há despedidas do lado de fora da porta, nem partidas de madrugada, nem beijos furtivos nas escadas. Deixa de haver ruas por onde se deambula à noite, a sonhar. Do casamento em diante, os beijos tornam-se cada vez mais conhecidos e menos húmidos e aquilo que vem depois da noite é mais do mesmo do dia de ontem, acaba o amor, louco, romântico, mágico e começa a rotina do papel higiénico e do pagamento das contas, ai, e faz-se amor a pensar no que há-de comprar-se para o almoço do dia seguinte porque o marido tem o colesterol mais alto e não come isto e aquilo faz-lhe mal."

"As mulheres sentem-se sempre incompletas."

"Os verdadeiros segredos não se escrevem em parte nenhuma."

"Apaixonei-me perdidamente em menos de dois minutos, e ele por mim. Foi aquilo a que normalmente se chama amor à primeira vista. Uma seta precisa e absoluta. Assim directa à medula da loucura amorosa."

"A pior coisa da velhice não é saber que se vai partir em breve, mas sim ver partir os nossos amigos."

"Quero acreditar e não acredito. Quero tranquilizar-me e não me tranquilizo. Vejo espaços vazios por toda a parte e não sei como preenche-los."

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